Ontem bebi demais,
muito além do necessário.
Sorvi mais do que poderia
extrair
de todas as garrafas do meu bairro
pois,
a fonte da qual eu bebia
era fonte inesgotável.
Eram meus olhos que produziam
lágrimas que despencavam
salgando meu rosto,
invadindo meus lábios.
Afogando-me na bebida
quente.
Fruta podre que cai da árvore,Vida corroída pelo tempo,Pó envelhecido de mármore,Uma folha seca indo no vento.Belo vaso, rachado, de flores;Para não despedaçar-se, finge:Não estão mortas todas as doresDos longínquos olhos de esfinge.Pálido tédio incomunicávelGélido e plácido como a lua,Seca o sentimento mais amável;Minha existência é assim, crua.Enorme absurdo inexorável,Esfacelo-me imóvel, nua.