Ontem bebi demais,
muito além do necessário.
Sorvi mais do que poderia
extrair
de todas as garrafas do meu bairro
pois,
a fonte da qual eu bebia
era fonte inesgotável.
Eram meus olhos que produziam
lágrimas que despencavam
salgando meu rosto,
invadindo meus lábios.
Afogando-me na bebida
quente.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Eu
Fruta podre que cai da árvore,
Vida corroída pelo tempo,
Pó envelhecido de mármore,
Uma folha seca indo no vento.
Belo vaso, rachado, de flores;
Para não despedaçar-se, finge:
Não estão mortas todas as dores
Dos longínquos olhos de esfinge.
Pálido tédio incomunicável
Gélido e plácido como a lua,
Seca o sentimento mais amável;
Minha existência é assim, crua.
Enorme absurdo inexorável,
Esfacelo-me imóvel, nua.
Vida corroída pelo tempo,
Pó envelhecido de mármore,
Uma folha seca indo no vento.
Belo vaso, rachado, de flores;
Para não despedaçar-se, finge:
Não estão mortas todas as dores
Dos longínquos olhos de esfinge.
Pálido tédio incomunicável
Gélido e plácido como a lua,
Seca o sentimento mais amável;
Minha existência é assim, crua.
Enorme absurdo inexorável,
Esfacelo-me imóvel, nua.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
As horas
Relógios.
Minha vida está
cheia,
repleta,
infestada
de relógios.
Me apresso,
esqueço,
corro sempre
com os relógios.
Para os relógios.
Reloginhos bem
pequenos brotam
dos meus poros;
são de todos os
tipos.
Antigos.
Futuristas.
De pulso,
de corrente,
de parede.
(Até ampulhetas!)
Mas são relógios
que
Tocam, despertam, badalam
na minha cabeça.
Minha vida está cansada de relógios!
Ou desapareço
Ou me transformarei – também eu – em um grande relógio.
Grande, enorme, ambulante;
Cheio de ponteiros e despertando a cada instante...
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Cores
Hoje meu dia amanheceu
roxo pálido
para combinar
com minha melancolia.
Essa melancolia viscosa,
escura, densa.
Que me engolfa
e me enoja,
que regurgito
e engulo novamente.
A tarde foi, para mim,
cinzenta,
afogada na solidão
boiando
longe dos meus semelhantes...
Indo embora, arrastada
nas correntezas do tédio
verde-musgo.
Vestida de monotonia.
De olhos abertos,
gelatinosamente abertos
e azulados.
roxo pálido
para combinar
com minha melancolia.
Essa melancolia viscosa,
escura, densa.
Que me engolfa
e me enoja,
que regurgito
e engulo novamente.
A tarde foi, para mim,
cinzenta,
afogada na solidão
boiando
longe dos meus semelhantes...
Indo embora, arrastada
nas correntezas do tédio
verde-musgo.
Vestida de monotonia.
De olhos abertos,
gelatinosamente abertos
e azulados.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Medo
... E o medo,
esse meu tão viscoso companheiro,
me submerge e me sufoca e me maltrata.
Vagueia comigo, brinco com ele,
ele me estica, me amassa e
gruda em mim.
Está tudo escuro : existe
uma cortina em volta
do meu pescoço. A lua
nunca mais sairá detrás
das nuvens.
E o medo é o único que
passeia ao meu lado,
caminha junto a mim, dentro de mim e sobre mim.
Me invade. Circula em minhas veias com
meu sangue e entra em meus
pulmões junto com o ar:
Sai do meu interior em forma de vômito.
Já não sei mais quem é o medo e quem sou eu.
esse meu tão viscoso companheiro,
me submerge e me sufoca e me maltrata.
Vagueia comigo, brinco com ele,
ele me estica, me amassa e
gruda em mim.
Está tudo escuro : existe
uma cortina em volta
do meu pescoço. A lua
nunca mais sairá detrás
das nuvens.
E o medo é o único que
passeia ao meu lado,
caminha junto a mim, dentro de mim e sobre mim.
Me invade. Circula em minhas veias com
meu sangue e entra em meus
pulmões junto com o ar:
Sai do meu interior em forma de vômito.
Já não sei mais quem é o medo e quem sou eu.
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Asas
Meu coração criou asas.
Saiu voando ligeiro
leve,
fugiu do meu peito.
Simplesmente
surgiu nele um par de asas
e meu coração fugiu
sumiu;
sentiu-se liberto
das veias, artérias, carótidas
que faziam chegar até ele
meu sangue ácido,
pesado, carregado de sentimentos.
Meu coração criou asas!
Justo ele que vivia oprimido
apertado, agoniado
aqui dentro de mim!
Foi-se embora por aí
voando, voando sempre
para bem longe dessa
caixa estreita, claustrofóbica
para algo tão grande feito ele...
Voou para o mundo
e a essa hora deve
estar dando rasantes,
fazendo piruetas no ar
com seu belo par de asas.
E eu
fico aqui.
Com um buraco no peito.
E o sangue enregelando,
endurecendo,
coalhando
Por falta de movimento.
Saiu voando ligeiro
leve,
fugiu do meu peito.
Simplesmente
surgiu nele um par de asas
e meu coração fugiu
sumiu;
sentiu-se liberto
das veias, artérias, carótidas
que faziam chegar até ele
meu sangue ácido,
pesado, carregado de sentimentos.
Meu coração criou asas!
Justo ele que vivia oprimido
apertado, agoniado
aqui dentro de mim!
Foi-se embora por aí
voando, voando sempre
para bem longe dessa
caixa estreita, claustrofóbica
para algo tão grande feito ele...
Voou para o mundo
e a essa hora deve
estar dando rasantes,
fazendo piruetas no ar
com seu belo par de asas.
E eu
fico aqui.
Com um buraco no peito.
E o sangue enregelando,
endurecendo,
coalhando
Por falta de movimento.
terça-feira, 23 de outubro de 2007
Rimas de criança
Inimigos pensamentos
Não me tragam mais tormentos
Raios, tempestades, ventos
Parem com os maus intentos!
Me devolvam a liberdade
Nem se for por caridade
Dívida de lealdade
Antes que eu perca a sanidade...
Pare que não agüento mais
Duro pensamento sagaz
Deixe-me só dormir em paz
Sonho tranqüilo, fugaz.
Deixe quieta essa paixão
Sentimento forte e vão
Que domou com uma mão
Mente, corpo e coração!
Não me tragam mais tormentos
Raios, tempestades, ventos
Parem com os maus intentos!
Me devolvam a liberdade
Nem se for por caridade
Dívida de lealdade
Antes que eu perca a sanidade...
Pare que não agüento mais
Duro pensamento sagaz
Deixe-me só dormir em paz
Sonho tranqüilo, fugaz.
Deixe quieta essa paixão
Sentimento forte e vão
Que domou com uma mão
Mente, corpo e coração!
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Poema em 6 minutos
Desejo escrever o que sinto
Verbalizar o nada
Expressar o medo
Mostrar a tristeza.
Preciso exprimir a dor
Expurgar a angústia,
Banir a desolação
Compartilhar o rancor.
Mas não posso.
Não tenho tempo...
Tudo o que disponho
São de seis míseros minutos!
Verbalizar o nada
Expressar o medo
Mostrar a tristeza.
Preciso exprimir a dor
Expurgar a angústia,
Banir a desolação
Compartilhar o rancor.
Mas não posso.
Não tenho tempo...
Tudo o que disponho
São de seis míseros minutos!
segunda-feira, 30 de julho de 2007
Epístola de Santa Lídia Dos Pés Cansados
A distância entre mim
e o mundo
É descomunal.
Injusta e invariavelmente grande.
Meus pés estão esmagados,
vermelhos e ensangüentados.
Como duas rosas amassadas. Vermelhas. Murchas.
Por isso não consigo mais correr.
Não consigo te alcançar.
Pés tão cansados que me impedem até
de sonhar que estou te seguindo
para algum lugar e
O desânimo é tão grande,
tão imensuravelmente grande que
me perco dentro dele.
Meus pés não me levam a lugar algum.
Estou paralisada de cansaço.
Sozinha. Vazia. Inerte.
segunda-feira, 23 de julho de 2007
Solvente Universal
A Humanidade é cruel em seu intento
E a imundície é plantada em uma horta.
As pessoas cultivam seu tormento
A lama é podre; a história morta.
O ar não é mais ar é um narcótico
O estado de nossas almas é caótico
Ninguém é Alguém, apenas um estereótipo
Tudo é falsidade, efeito óptico.
Alguns ainda clamam por esperança
Mas os espíritos estão tomados pela vileza
Em nenhum átomo existe a confiança
A vida é encarada com extrema crueza.
Como poderíamos acreditar na bonança,
Se idolatramos e vivemos a torpeza?
E a imundície é plantada em uma horta.
As pessoas cultivam seu tormento
A lama é podre; a história morta.
O ar não é mais ar é um narcótico
O estado de nossas almas é caótico
Ninguém é Alguém, apenas um estereótipo
Tudo é falsidade, efeito óptico.
Alguns ainda clamam por esperança
Mas os espíritos estão tomados pela vileza
Em nenhum átomo existe a confiança
A vida é encarada com extrema crueza.
Como poderíamos acreditar na bonança,
Se idolatramos e vivemos a torpeza?
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